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Tico era um pardalito que caiu do ninho no nosso quintal, tratámos dele e ficou connosco.
O pai deu-nos um cestinho de palha com algodão, um conta-gotas para darmos-lhe água, alimentávamo-lo com pedacitos de pão molhado.
O Tico sobreviveu.
Num armário no escritório o pai arranjou um confortável cantinho para o Tico.
Um dia o pai chamou-nos e explicou que devíamos soltar o Tico para que vivesse em liberdade, embora andasse pela casa era diferente.
Foi connosco e o Tico para o quintal. O Tico voou.
Fiquei triste de pensar que o Tico não voltaria, mas qual quê, passado alguns minutos lá veio o Tico e pousou ao pé de nós a piar.
A partir daí, as janelas ficavam abertas, o Tico ia dar uma volta mas sempre regressava, nada a fazer, o pai permitiu que continuássemos com o Tico, ele assim tinha escolhido.
O Tico andava sempre atrás de mim, pousava no meu ombro. Mal me via lá começava a piar e voava para junto de mim.
Eu e o meu irmão brincávamos com ele, esticávamos o braço e o Tico voava de uma mão para a outra.
Sempre que vínhamos a Lisboa lá vinha o Tico.
Viveu connosco durante cerca de uns dois anos.
Um dia andava junto de nós, um amigo foi lá a casa, pisou-o sem querer, não reparou que o Tico estava atrás dele.
Peguei no Tico, coloquei-o no seu cestinho e fiquei junto a ele a fazer-lhe festas, mas não resistiu.
O pai abriu uma pequena cova no nosso quintal e lá colocámos o nosso querido amiguinho Tico.
Esta semana lembrei-me do Tico, estou num cliente a fazer um trabalho, na hora do almoço vou para o pátio, aparece um pardalito ao pé de mim e ali fica até dar-lhe uns pedaços de pão.
Poliana era a filha de um missionário, cujo salário era tão baixo que ele mal podia obter o essencial para viver. De tempos em tempos, chegavam à missão caixas com roupas usadas e quinquilharias para serem distribuídas. Poliana esperava que algum dia chegasse alguma contendo uma bonequinha. Seu pai havia até escrito pedindo para que na próxima caixa viesse uma boneca já usada para sua filha. A caixa veio, mas, em vez de uma boneca, trazia um par de muletas. Notando a decepção da criança, o pai disse: "Há uma coisa pela qual podemos ficar contentes e agradecidos: é de não precisarmos de muletas". Foi então que começaram a jogar o "jogo do contente", como o chamaram, procurando e achando qualquer motivo para alegrar-se e agradecer, não importando o que fosse, e sempre o achavam. Por exemplo, quando fossem obrigados a comer uma refeição reduzida num restaurante, por não poderem pagar as guloseimas constantes do cardápio, diziam: "Bem, estamos contentes por gostarmos de feijão", embora seus olhos parassem no peru assado com seu preço proibitivo. Depois, passaram a ensinar o jogo a outros, fazendo com que muitas pessoas se tornassem mais felizes, entre elas algumas que acreditavam nunca mais poder alcançar a felicidade.
Por fim, estavam realmente passando fome, e a mãe de Poliana teve que ir para o céu para evitar a despesa de viver. Logo depois, seu pai a seguiu, deixando Poliana dependente da generosidade de uma tia solteira, rica, mas rabugenta e inóspita, que morava em Vermont. Apesar de ter sido mal recebida e do quarto horrível que lhe foi destinado, a menina só viu motivos para alegrar-se. Literalmente, ela irradiava alegria, atraindo por seu encanto a empregada e o jardineiro e, com o tempo, até a tia indiferente. A mente radiosa da criança logo forrou as paredes nuas e o chão do seu frio quarto do sótão com toda espécie de beleza. Se não havia quadros, ela ficava contente porque sua janelinha abria para uma paisagem mais linda do que um artista poderia pintar, e o gramado era um tapete verde e dourado que nem o mais hábil tecelão do mundo poderia tecer igual. Se em seu grosseiro lavatório não havia espelho, ela ficava contente porque isso a poupava de ver suas sardas; mas, se tinha sardas, não era um bom motivo ficar contente porque não eram verrugas? Se sua mala era pequena e as roupas poucas, não eram bons motivos para ficar contente porque era rápido desfazer a mala? Se seus pais não estavam com ela, não devia estar contente por eles estarem no céu com Deus? Já que eles não podiam falar-lhe, não devia alegrar-se por ela poder falar com eles?
Quando voava como um pássaro pelos campos e charnecas, esquecendo a hora da ceia, ao voltar mandavam-na para a cozinha para alimentar-se apenas de pão e leite. A tia que esperava lágrimas e amuos, surpreendia-se ao ouvi-la exclamar: "Oh, estou tão contente por você ter feito isto, porque eu gosto muito de pão e leite". Qualquer tratamento ríspido, e havia muitos no início, fazia com que ela imaginasse algum motivo bondoso por trás de tudo e, então, dedicava-lhe um pensamento agradecido.
Sua primeira seguidora foi a criada da casa, que costumava esperar o dia semanal de lavagem de roupa com verdadeiro horror e encarava a segunda-feira com mau humor. Não demorou muito para que nossa garota conseguisse que Nancy se sentisse mais contente na manhã de segunda-feira do que em outras manhãs, porque não haveria mais nenhum outro dia de lavar roupa em toda a semana; e também fê-la ficar contente que seu nome não fosse Hepsibah, e sim Nancy, do qual ela não gostava. Um dia, quando Nancy protestava dizendo: "Claro, não há nada num enterro para ficar contente", Poliana logo respondeu: "Bem, podemos ficar contentes por não ser o nosso". Para o jardineiro, que se queixava que estava curvado por causa do reumatismo, ela ensinou o jogo do contente dizendo-lhe que por já estar meio curvado deveria ficar contente por ter que se curvar só a metade quando estivesse arrancando o mato.
Perto de sua casa, numa mansão, vivia um velho solteirão, um recluso sombrio. Quanto mais ele a repelia mais solícita ela ficava, e freqüentemente o visitava porque nenhuma pessoa o fazia. Em sua inocência e compaixão, ela atribuía sua falta de cortesia a algum secreto infortúnio e, portanto, ansiava cada vez mais por ensinar-lhe o jogo do contente. Ela ensinou e ele aprendeu, embora fosse difícil no começo. Quando ele quebrou a perna, não foi fácil convencê-lo a ficar contente por haver quebrado apenas uma das pernas, e admitir que teria sido muito pior se suas pernas fossem tão numerosas como as de uma centopéia e ele tivesse quebrado todas elas. Por fim, sua alegre disposição conseguiu que ele gostasse do sol, abrisse as venezianas, corresse as cortinas e abrisse seu coração para o mundo. Ele quis adotá-la, mas como não o conseguiu, adotou um menino órfão que ela encontrou à beira da estrada.
Conseguiu que uma senhora, que só usava roupa preta, passasse a usar roupas com cores alegres. Outra senhora, rica e infeliz porque sua mente estava fixada em desgostos passados, teve sua atenção desviada por Poliana para as misérias alheias, e tendo aprendido pelo jogo do contente como levar a alegria àquelas vidas, esta senhora trouxe alegria em profusão para a sua própria. Sem o saber, ela reuniu em feliz vida comum um casal que estava a ponto de separar-se, acendendo em seus corações, que estavam ficando frios, um grande amor por seus filhos. Aos poucos, toda a cidade começou a jogar o jogo do contente e a ensiná-lo a outros. Sob esta influência, os homens e mulheres transformavam-se em seres diferentes: os infelizes ficavam felizes, os doentes curavam-se, os que estavam a ponto de proceder mal encontravam de novo o caminho certo, e os desanimadas readquiriam coragem.
O principal médico da cidade achou por bem recomendá-la, como se ela fosse algum remédio. Dizia: "Essa garotinha é melhor do que um vidro de tônico. Se há alguém capaz de retirar o mau humor de alguém é ela; uma dose de Poliana é mais curativa do que uma farmácia cheia de medicamentos". Mas o maior milagre conseguido pelo jogo do contente foi a transformação operada no caráter de sua impertigada e puritana tia. Ela que havia recebido Poliana em sua casa por estrito dever de família, com a convivência com sua sobrinha desenvolveu um coração transbordante de carinho. Poliana foi retirada de seu frio quarto do sótão para um quarto lindamente forrado de papel, com quadros, tapetes e mobiliado, no mesmo andar de sua tia. Assim, o bem que ela fez reverteu em seu próprio benefício."
"Havia mais de trinta anos que um pedinte se sentava na berma de uma estrada. Um dia, passou por ali um
estranho. "Alguma moedinha?" pedinchou o pobre, estendendo automaticamente o seu boné. "Não tenho nada para te dar", disse o estranho. Depois perguntou: "O que é isso em que te sentas?" "Nada", respondeu o pedinte. "Apenas uma caixa velha. Sento-me nela desde que me lembro" "Algum dia viste o que tem dentro?" tornou o estranho. "Não", respondeu o pobre. De que me serviria" Não há nada lá dentro." "Vê o que tem dentro", insistiu o estranho. O pedinte muito hesitante, lá conseguiu forçar a tampa. Com surpresa, incredulidade e exaltação, verificou que a caixa se encontrava cheia de ouro…"
Eu sou aquele estranho que não tem nada para te dar, mas que te diz para olhar para dentro, para dentro de ti próprio…
Como é que podemos olhar para dentro? Olhamos para dentro através da consciência… Quem é o estranho que te diz para olhar para dentro? O "Estranho", é o Ser que habita em ti… é a consciência que fala contigo, desde o dia em que fisicamente chegaste a este mundo! Só terás que a ouvir, despertando do sono em que te encontras…
O acordar da consciência, começa talvez no dia em que a tua percepção se aclare… no dia em que afirmes: algo dirige a nossa vida, para lá de nós mesmos, para lá da nossa inconsciência… Esse algo, ou "o Estranho" da parábola que diz para olhar para dentro de ti próprio, não é mais do que parte do Ser que habita dentro de nós desde o início da nossa existência física. Para o Ser não há início nem fim, apenas existência.
Por vezes o acordar da consciência provém de momentos em que a nossa existência material é posta em causa… momentos de sofrimento físico e psíquico. São pequenos instantes em que o domínio da mente desvanece, e a consciência se torna predominante. Todos nós certamente já estivemos numa ou noutra ocasião, em situações semelhantes, onde sentimos o acordar! O difícil é no entanto mantermo-nos acordados e vigilantes, para além dessas situações pontuais. Contudo, à medida que nós conseguirmos ultrapassar o imediatismo do ego e da mente, conseguimos estar mais próximos do Ser, conseguimos Ser dentro do Ser!
Desde que lhe possamos ascender, esse "Estranho", deixa de o ser, tornando-se o familiar mentor da nossa vida. Quanto mais próximos Dele estamos, mais profunda é a revelação de que não estamos sós. Pertencemos à dinâmica de um todo, tal como o fogo que Prometeu, ao roubar do Olimpo, deu ao primeiro mortal, permitindo-lhe pela primeira vez ser.
Essa centelha, que habita em nós, é o Ser que nós somos, é o Ser que pretendemos trazer da obscuridade do nosso corpo material!
Partindo todos os indivíduos, desse Fogo inicial, existem contudo diferenças entre essas partes, ou seja entre nós. A mais relevante das diferenças não parte contudo do corpo material com todos os seus atributos, ou da mente, ou ainda da ponte entre ambos que é o ego; o que realmente nos torna diferentes, ou partes diferentes do Ser, é o nível de consciência que nos permite ascender a nós mesmos, é o número de degraus da escada percorridos com os olhos postos na Unidade.
No entanto, mais importante que chegar ao cimo da "escada", é a nossa pré disposição para iniciar a viagem, é a nossa força e vitalidade da Iniciação. Essa viagem deve ser arrancada das grilhetas do tempo material… porque é intemporal… não tem passado, porque nos iniciamos em algo novo… não tem futuro, porque somente a cada passo dado, nos será revelado o passo seguinte da caminhada… A viagem é intemporal porque é Presente!!
Assim, tal como a abolição do Tempo Material, todos os sentimentos que pertencem ao domínio da mente que lhe estão associados, como a ansiedade, o medo, a fraqueza deverão ser abandonados.
Nós somos a causa do nosso sofrimento e da nossa dor! É a nossa própria mente que causa os nossos problemas, não são "os outros", não é o "mundo lá fora". É a nossa mente, com o seu quase constante caudal de pensamentos, a lembrar o passado e a preocupar-se com o futuro. Nós cometemos o grande erro de nos identificarmos com a nossa mente, de pensarmos que é ela que nós somos – quando de facto, somos seres de longe muito maiores do que ela, porque pertencemos ao Ser… a Deus.
É possível ascender a um estado de Iluminação na presença do Ser, se abandonarmos as sombras do mundo físico, do ego e do ruído da mente. O Silêncio é um privilégio dos príncipes e dos iluminados. Assim, nada deverá estar entre nós e a luz, nada deverá separar a luz da sua projecção no Ser que habita em nós! "
Mais um ano, fiz anos ontem, viemos do Magoito - Sintra, onde passámos uns dias, este ano não pude ter um mês de férias, amanhã já vou trabalhar.
Foram almoçar connosco os meus primos, o filho do tio Luís irmão do pai, e a mulher, pessoas de quem gosto muito.
Costumo fazer uma retrospecção do que têm sido estes anos de vida.
É a inteligência e não a idade que serve para se achar a Sabedoria.
 Felicidade é ver duas pessoas que se amam e pensar que também há amor para nós; é Ter vontade de viver, é estarmos contentes porque conseguimos tornar alguém feliz.
Sê como o rochedo solitário contra o qual os vagalhões se arrebentam. Inabalável, ele resiste, e o oceano encapelado acaba por amainar.
Estamos a sofrer ou talvez a morrer de sede, perto de uma Nascente que não Vemos, ou não Conhecemos.
A Verdadeira libertação, é ir ao encontro dos outros, comunicar-lhes tudo, procurar juntos, lutar e construir juntos.
Não é Luz que falta ao nosso olhar; o nosso olhar é que foge da Luz.
A Luz que deve iluminar-nos não deve focar as margens mas o centro do nosso Caminho.
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